Elsimar Coutinho - Saúde e sexualidade
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CEPARH, Vinte anos de Planejamento Familiar

O Centro de Pesquisas e Assistência em Reprodução Humana (CEPARH) foi fundado na Bahia em setembro de 1984. O objetivo do centro desde o início era assegurar continuidade aos programas de planejamento familiar que tinham se desenvolvido na Maternidade Climério de Oliveira, hospital escola da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ao longo de mais de duas décadas. Na realidade, a criação do Centro foi impulsionada pela ocorrência cada vez mais freqüente de greves estudantis que se faziam contra o governo e que exigiam a interrupção das atividades de ensino, assistência e pesquisa conduzidas na Maternidade na condição de Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde.

No seu primeiro ano, o CEPARH funcionou provisoriamente nas dependências da Maternidade, transferindo-se em seguida para uma casa residencial adaptada para clínica situada na Rua Prado Valadares. A medida que as greves se tornavam mais longas, aumentava o tempo que o corpo clínico da disciplina de Reprodução Humana se dedicava ao CEPARH. Em pouco tempo a atividade assistencial teve que ser ampliada e uma segunda casa, vizinha da primeira, foi alugada.

A transferência para a majestosa sede própria atual deu-se há 15 anos atrás graças à doação de um admirador holandês, Eric Loeff, que destinou parte da sua fortuna de cerca de 10 milhões de dólares à construção de uma estrutura física condigna com a importante função social do CEPARH. O prédio de quatro andares foi projetado para atender cerca de 300 clientes por dia como day hospital, possuindo serviços de laboratório, anatomia patológica, centro cirúrgico, ambulatórios, enfermarias, apartamentos, serviço de mastologia com mamografia, ultra-sonografia, densitometria óssea, além de uma farmácia de manipulação que é a única no país que fabrica implantes hormonais sob medida.

Aos vinte anos de idade, o CEPARH conta com os mais avançados instrumentos de assistência e pesquisa em reprodução humana, particularmente na área do planejamento familiar. Nos vinte anos de atividade ininterrupta, o Centro atendeu a mais de 330.000 pessoas de baixa renda que queriam ter filhos, mas não muitos. Todos que procuraram o CEPARH tiveram os filhos que queriam, mas não tiveram os que não desejavam ter.

Estima-se que atendendo a mais de 330.000 pessoas, o CEPARH ajudou-as a engravidar e ter filhos na hora certa, assegurando com esta prática cerca de 1.000.000 nascimentos oportunos e muito bem-vindos. Por outro lado, o uso de métodos anticoncepcionais, muitos dos quais desenvolvidos na Bahia como o injetável Depo Provera e as pílulas Anfertil e Neovlar, permitiram evitar um milhão de gravidezes indesejadas, principalmente em adolescentes, que resultariam, se ocorressem, em milhares de abortos, centenas de mortes maternas e dezenas de milhares de crianças abandonadas.

Adotando técnicas de esterilização reversível, tanto para mulheres quanto para homens, nos quais a operação da vasectomia é realizada sem cortes ou pontos, o Centro assumiu a liderança da contracepção cirúrgica na América Latina e que é oferecida sem custo para aqueles que já completaram suas famílias.

O pioneirismo do CEPARH foi reconhecido pela Prefeitura de Salvador, que financiou a aquisição de um veículo que pudesse levar o planejamento familiar à periferia da cidade. O CEPARH móvel atende a este objetivo, visitando os bairros mais distantes da clínica na Federação, levando a educação e a assistência àqueles que dificilmente se deslocariam em busca de ajuda.

Indiretamente o CEPARH de Salvador e a sua unidade da cidade de Feira de Santana, dirigido pelo Dr. Marcelo Esteve, deverão ter contribuído para desacelerar o crescimento da população em todo o estado, através da promoção do uso dos anticoncepcionais, impedindo bem mais do que um milhão de concepções. Apesar da redução na velocidade do crescimento populacional de Salvador, proporcionado pela prática do planejamento familiar, a cidade se mantém como a terceira mais populosa do Brasil com 2,5 milhões de habitantes, porém não se apresenta como a 3a mais violenta. Mais violentas do que Salvador estão as mais populosas Rio de Janeiro e São Paulo, e as menos populosas como Recife, Vitória, Belo Horizonte e Brasília.

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