Reposição Hormonal com Testosterona para Homens e Mulheres

Como um verdadeiro presente de Natal o fim do ano passado trouxe boas notícias para aqueles que, como eu, defendem a reposição da testosterona tanto em homens como em mulheres nas quais a produção do hormônio é insuficiente para assegurar uma libido satisfatória. O trabalho de maior repercussão foi sem dúvida aquele que apresenta o conjunto de recomendações para o uso da testosterona (guidelines) que resultaram do consenso entre a Sociedade Internacional de Andrologia (ISA), a Sociedade Internacional para o Estudo do Homem Idoso (ISSAM), a Sociedade Européia de Urologia (EAU) e a Sociedade Americana de Andrologia (ASA), subscrito pelas principais autoridades no assunto reunidas no 4º Congresso do ISSAM em 2004 em Praga. O documento publicado no Journal of Andrology, no International Journal of Andrology e no European Urology é assinado por 12 urologistas de renome internacional entre os quais se destacam: E. Nieschlag (Alemanha), C. Wang (EUA), R. Swerdloff (EUA), J.M. Kaufman (Bélgica), B. Lunenfeld (Israel), A. Morales (Canadá), J.E. Morley (EUA), C. Shulman (Bélgica), I.M. Thompson (EUA), W. Weidner (Alemanha), F.C.W. Wu (Reino Unido), J.J. Legros (Bélgica), H.M. Behre (Alemanha) e L.J. Gooren (Holanda). Intitulado “Investigation, treatment and monitoring of late onset hypogonadism in males”, o trabalho foi cuidadosamente preparado e antes de ser submetido para a publicação foi revisado pelos autores em Berlim (2007), Toronto (2007) e Tampa (2008). As novas recomendações em número de 12 abordam os diversos aspectos da condição descrita como “hipogonadismo tardio” (late onset), que equivale ao que se denomina vulgarmente de andropausa em analogia com a menopausa e apresenta detalhadamente como se deve estabelecer o diagnóstico e conduzir o tratamento, que consiste essencialmente em repor testosterona. A recomendação no 1 descreve a síndrome como sendo responsável pela diminuição da qualidade de vida do homem em virtude dos efeitos adversos que a falta de testosterona provoca em múltiplos órgãos. Na recomendação no 2 são detalhados os sintomas, que incluem perda da libido, disfunção erétil, redução da massa muscular e da força física, aumento da gordura corporal, perda óssea, diminuição da vitalidade e depressão. A recomendação no 3 é subdividida em 9 itens diferentes que analisam como fazer o diagnóstico da deficiência de testosterona. As recomendações 4, 5 e 6 descrevem como avaliar os resultados da reposição hormonal, que incluem como dosar a testosterona e seus efeitos sobre a composição do corpo e do esqueleto. Nas recomendações 7 e 8, se detalha a avaliação da função sexual em relação com a reposição hormonal e como afastar possíveis patologias que podem influenciar os resultados (diabetes, vasculopatias, hiperprolactinemia, etc.). A recomendação no 9 trata da hiperplasia e do câncer de próstata. A recomendação afirma textualmente que não existe evidência conclusiva que a testosterona aumenta o risco de hiperplasia ou do câncer de próstata. Também não há evidencia de que o tratamento de reposição com testosterona converta câncer de próstata subclinico em câncer de próstata clinicamente detectável (nível 4, grau C). A recomendação inclue medidas para avaliar o risco do paciente. Ainda nesta recomendação se inclue a possibilidade em pacientes tratados com sucesso de câncer da próstata de fazerem uso da testosterona caso necessitem. Na recomendação no 10 são listadas os diversos tipos de testosterona disponíveis para a reposição, que incluem o uso intramuscular, subdermico, transdermico e bucal, que são seguras e eficientes. As duas últimas recomendações de número 11 e 12 se referem aos efeitos adversos e contra-indicações. O segundo trabalho do pacote de Natal descreve os resultados do estudo randomizado denominado APHRODITE com a participação de 814 mulheres com libido diminuída que receberam ou um placebo ou um adesivo que liberava 150 ou 300 microgramas de testosterona por dia. Eficácia foi medida até a 24ª semana e a segurança até um período de 52 semanas. O estudo publicado recentemente no New England Journal of Medicine da autoria de Susan Davis e mais doze co-autores representando uma centena de colaboradores dos Estados Unidos, Suécia, Austrália e do Canadá confirma estudos menores que demonstraram a eficiência do tratamento com testosterona transdermica em mulheres que receberam o hormônio. As duas publicações devem contribuir para dar maior tranqüilidade tanto aos pacientes quando aos meus colegas que, como eu, prescrevem a testosterona com a convicção de que o hormônio que atua por conta própria ou através da sua transformação parcial em estradiol é eficiente e seu uso controlado não traz conseqüências adversas para o usuários.