O Sexo do Ciúme

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Editora Landscape – 1997
‘O sexo do ciúme’ reúne os principais artigos que escreveu nos últimos anos sobre sexualidade e reprodução humana, sua especialidade. Com uma linguagem que procura se fazer entender para a maioria dos leitores, o autor discorre sobre sua infância, família, sexo e seus problemas, reprodução e doenças, o corpo e os hormônios da mulher além de reflexões sobre o corpo do homem e a relação entre sexo e futebol. O capítulo que dá título ao livro chama a atenção por desmistificar conceitos comuns sobre o ciúme. Para Elsimar o ciúme masculino resulta pura e simplesmente de manifestações do instinto sexual, que governam o comportamento reprodutivo do macho de qualquer espécie animal. Instinto que é ativado e modulado pelo hormônio masculino, de tal modo que suas manifestações não podem deixar de ser encaradas, pura e simplesmente, como uma função da secreção da gônada masculina.

NOTAS DO AUTOR
Descobri cedo a atração que as mulheres exerciam sobre os homens e a emoção que a sua perturbadora presença incitava. A adolescência provocou uma enorme transformação na minha percepção das mulheres. Seu corpo de repente assumiu forma. Passei a enxergar detalhes. Os seios, as ancas, a cintura, as coxas, a bundinha, os cabelos e os lábios vermelhos. A beleza física assumiu naquele momento a importância fundamental cantada pelo poeta. As emoções governadas pelos humores sexuais, como o desejo e o ciúme, passaram a influenciar as minhas relações com elas.

Creio que o fascínio que eu tinha pela misteriosa atratibilidade da mulher contribuiu até para direcionar os meus estudos de química e biologia para a área hormonal. Queria compreender como agiam, desvendar o mistério daquele imenso poder. Eram os hormônios femininos que davam a forma curvilínea ao seu corpo, contribuíam para a sua postura, o andar balançado e cadenciado, o brilho dos olhos, a textura da pele e a sedosidade dos cabelos.

Eram a fonte do poder de afetar os sentidos do homem – a visão, a audição, o olfato, o gosto e o tato, de modo por vezes cataclísmico – , dominando-o e subjugando-o sem recorrer jamais ao uso de força física ou de uma possível superioridade intelectual.
Dr. Elsimar Coutinho

O ciúme da mulher, apesar de se manifestar muitas vezes com uma fúria que faria inveja aos mais chauvinistas dos porcos machistas, nada tem a ver com um instinto sexual diretamente relacionado aos objetivos reprodutivos da espécie. É por isso que em nenhuma espécie animal, exceto a humana, as fêmeas manifestam qualquer preocupação com as infidelidades sexuais dos seus machos. O ciúme da mulher é um sentimento humano que tem suas raízes na razão e se fundamenta na estrutura socioeconômica do casamento monogâmico, escolhido pela civilização como o mais adequado para atender aos interesses da comunidade familiar.

Entretanto, a mulher ignora que o ciúme do macho que transforma o homem nesta odienta figura de porco chauvinista nada tem de cultural e resulta, pura e simplesmente, de manifestações do instinto sexual que governam o comportamento reprodutivo do macho de qualquer espécie animal. Instinto que é ativado e modulado pelo hormônio masculino.

Sexo e amor são completamente diferentes, desde que o sexo tem um substrato físico e exige contato corporal, enquanto o amor tem substrato psíquico, é um sentimento, pode eclodir e desenvolver-se sem contato físico. O sexo está ao alcance dos animais e até dos vegetais, não exigindo córtex cerebral diferenciado para se consumar, enquanto o amor é privilegio do ser humano.
Dr. Elsimar Coutinho